quarta-feira, 10 de abril de 2019

Vício

"Baby I'm addicted to you
Quiero que te dejes querer"

⛔MAIORES DE 18 ANOS⛔

Vestes o casaco e sais de casa.
Mãos no bolso, atravessas apressado a rua e encostas-te ao muro cinzento, por baixo do poste de iluminação da rua.
Tiras um cigarro e o isqueiro. A fraca chama ilumina a tua cara.
Fechas os olhos enquanto fumas.
Detesto esse teu vício. Mas o odor a tabaco misturado no teu perfume e no cheiro das chicletes de menta já fazem parte de ti.
Atravesso a rua na tua direcção.
Vês-me e ficas sério, abanas a cabeça e dás mais uma passa no cigarro.
Encosto-me ao teu lado no muro, sem te tocar.
A noite está fria. A minha saia não é o ideal para me proteger do ar frio e encolho-me dentro do casaco.
Olho para ti, para o movimento dos teus lábios a segurarem o cigarro, sem pressa nenhuma. Sigo-os com o olhar quando expiras uma nuvem de fumo.
- Pára com isso. - dizes-me numa voz rouca antes de voltares a levar o cigarro à boca. - Sempre tiveste essa mania de ficar a olhar.
- Não é mania. É vício.
Ris.
- Deixa-te dessas parvoíces. - disseste ríspido. - Volta para dentro, não estás aqui a fazer nada.
- Não sejas assim...
- Não sejas assim o quê? - exaltaste. - Sabes bem a situação em que nos metemos. Sabes os riscos que corremos...
Levas o cigarro uma última vez à boca antes de o atirares ao chão e pisares. Soltas o fumo para cima, em direção à luz do candeeiro.
- Sabes que não é certo.
Sorrio e respondo-te:
- Sei. Mas também sei que queres.
Beijo-te, sem te dar tempo para responder. Um beijo simples, só o toque dos meus lábios nos teus. Apenas uma prova. Interrompo o beijo e olho-te nos olhos.
- Se não quiseres, podemos voltar para dentro.
Reviras os olhos, ris e puxas-me pela cintura.
- Cala-te.
Encostas-me à parede e beijas-me.
Os teus lábios colam-se aos meus, a tua língua procura a minha.
O teu sabor a fumo mistura-se com o meu hálito a álcool, numa fusão viciante.
As tuas mãos descem das minhas costas até à cintura. Encontras o caminho por baixo da saia e apertas-me as coxas.
Puxo-te o cabelo e mordo-te o lábio.
- Caraças... - murmuras enquanto me beijas o pescoço e deixas que as tuas mãos me envolvam as nádegas.
Rapidamente procuras o tecido das minhas cuecas e deixas que me caiam até aos tornozelos.
Deslizo as minhas mãos, passando as unhas pelo teu corpo, até às tuas calças. 
Solto o botão e desço o ziper. 
Mordes-me a orelha enquanto te puxo os boxers para baixo. 
Agarro com a minha mão fria o teu pénis quente. Gemes contra os meus lábios.
Ergo uma perna, deixando as cuecas caírem no chão, e puxo-te contra mim.
Levantas-me ao colo enquanto me beijas avidamente.
O encaixe é perfeito. 
Penetras-me devagar enquanto abafo os meus gemidos nos teus lábios.
Sabes que o tempo escasseia e que a probabilidade de sermos apanhados é elevada, por isso aumentas a velocidade dos movimentos. 
As minhas costas raspam no muro mas não me importo. 
O prazer compensa.
Ter-te esta noite compensa.
O vício saciado compensa. 
Aperto com força as minhas pernas à tua volta. 
Sinto-te sair e entrar em mim a uma velocidade estonteante.
Cravo-te as unhas nas costas, por cima da camisola.
Os nossos gemidos misturam-se com o som de cães a ladrar ao longe e com o barulho das conversas e gargalhadas que vêm de casa.
O frio passou, agora só existe o calor dos nossos corpos naquela rua. 
O vapor da nossa respiração dispersa-se no feixe de luz do candeeiro.
Continuas a penetrar-me, a beijar-me os lábios e a morder-me o pescoço.
-Porra... Vou-me vir. - dizes.
Aumentas a intensidade, agarro-me aos teus ombros.
Um carro passa e buzina, sem parar.
A luz dos faróis ilumina o momento em que atinges o orgasmo. 
Sinto o calor dentro de mim. 
Abafas o gemido no meu pescoço. 
Continuas os movimentos. Sabes que estou quase. 
Enrolas a mão nos meus cabelos e puxas, enquanto passas a língua desde a minha clavícula até ao lóbulo da orelha.
O momento chega e um gemido mais intenso faz-se ouvir. Apressas-te a tapar-me a boca com a mão. Mordo-te para controlar o som dos gemidos e soltar o orgasmo que me invade.
Lentamente, deixas que as minhas pernas escorreguem pelo teu corpo até os pés tocarem o chão.
Ajeito a saia enquanto abotoas as calças.
Fico a olhar para ti com um sorriso malicioso. 
- Caraças... Fizemos merda outra vez. - dizes, enquanto passas a mão no cabelo.
Apanho as minhas cuecas do chão. 
Beijo-te. Um beijo calmo, doce, a saborear cada segundo em que os nossos lábios se encontram.
- És um vício. 
Afasto-me e preparo-me para voltar para dentro.
-Espera aí... Então e agora? - perguntas.
Fico séria por um momento. 
- Agora, fazemos o mesmo de sempre. Voltamos à nossa vida e fingimos que nunca aconteceu.
- Mas aconteceu! Outra vez! E vai voltar a acontecer!
Rio-me baixinho.
Aproximo-me de ti, coloco a minha mão no bolso do teu casaco e sussurro ao teu ouvido:
- Disso podes ter a certeza.
Pisco-te o olho, atravesso a estrada e volto à festa.
Pela janela vejo-te a acender um cigarro. Outro.
Que vício!
Levas a mão ao bolso do casaco onde esteve a minha. Vejo a tua cara de surpresa ao tirar de lá as minhas cuecas de renda. 
Sorris com o cigarro nos lábios. 
- Caraças... - consigo ler neles.
Rio-me.
Tu não largas o vício. Nem o vício te larga a ti.


1 comentário :

  1. Já suspirava por mais um texto teu. Já cá tinha vindo à procura de textos novos e hoje finalmente tenho material fresquinho. Ou quente, bem quente ;)
    Parabéns por mais um texto fantástico e intenso.

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