segunda-feira, 29 de junho de 2009

Desabafo

"I always feel like everything is wrong and I don't know where I belong..."

"Não sei o que lhe aconteceu, não consigo perceber"
Sempre que em minha casa se fala em escola esta frase é repetida pela minha família.
Como é que uma aluna que sempre se manteve no alto, agora cai no chão?
Eu explico.
Essa aluna, esse ser, essa pessoa sente-se perdida.
Para ela o início do último ano lectivo foi o fim de tudo o que ela mais adorava.
Entrou para um lugar novo, com novas pessoas, com novas regras, com novos métodos, com novas ambições, com novos desafios, com novos trabalhos.
Entrou num mundo novo.
Essa entrada foi tão repentina na sua vida que ela se perdeu e ainda não se encontrou.
Nesta nova vida ela teve de deixar muito da antiga vida para trás.
Deixou o melhor amigo.
Aquele que sempre a fazia rir, aquele que a abraçava em silêncio e a confortava, aquele que brigava com ela e por ela, aquele que partilhava com ela, aquele que sabia tudo sobre ela, aquele que ficava sentado ao lado dela em silêncio a olhar para o vazio, aquele em que ela confiava, aquele que esteve sempre para ela, aquele que ela adorava.
Deixou o rapaz por quem sempre esteve apaixonada.
Aquele que lhe alegrava o dia com um sorriso, aquele que tinha os olhos verdes em que ela se perdia, aquele que tinha a voz que a arrepiava, aquele que ela fazia corar sempre que lhe agarrava a mão, aquele que ela abraçava sem explicação, aquele que lhe dava inspiração, aquele que a fazia esquecer-se de tudo, aquele que lhe acelerava o coração, aquele que ela queria beijar mas nunca teve a coragem, aquele que tinha o reflexo dela no sue olhar, aquele que ela amava.
Deixou os amigos de vários momentos.
Aqueles que participavam em todas as brincadeiras, aqueles com que ela brigava mas no fundo gostava deles, aqueles que a ajudaram quando mais precisou, aqueles que ela ajudou quando dela precisavam, aqueles que estavam em silêncio a seu lado, aqueles que ela só cumprimentava, aqueles que riam e choravam com ela, aqueles que ela conhecia desde sempre, aqueles que ela não conhecia mas iria conhecer, aqueles que sempre estiveram na vida dela.
Deixou hábitos que mantinha há muito.
Aquele de esperar por alguém, aquele de ir a filmar o caminho todo, aquele em que ia a ouvir música, aquele em que ela sorria para todos, aquele em que ela sempre ia a correr de manhã, aquele de assustar as pessoas, aquele de dar voltas, aquele de se sentar no meio do campo de futebol, aquele de comprar gomas todas as sextas, aquele de esconder objectos, aquele de se meter com desconhecidos, aquele de pregar partidas nas aulas, aquele de ser rir como uma louca, aquele que ela sempre fazia todos os dias.
Agora são apenas recordações.
Recordações fechadas no baú que ela guarda no coração e que nunca irá esquecer.
E perder tudo o que ela tinha de um momento para o outro foi o fim para ela.
Perdeu a vontade.
A vontade que antes tinha para rir, a vontade que antes a fazia acordar a cantar, a vontade de socializar, a vontade de ajudar, a vontade de compreender, a vontade de realizar, vontade de estudar, a vontade de encontrar novas soluções, a vontade de enfrentar um novo dia.
Perdeu-se a si mesma.
E foi assim que a rapariga que estava no topo caíu no fundo.
Agora ela quer voltar a erguer-se, quer voltar a ter vontade, quer voltar a ter bons momentos para recordar, quer voltar a dizer "olhem para mim, esta sou EU e ESTOU VIVA!", quer voltar a enfrentar cada dia como um dia novo e diferente.
E é assim que ela se vai voltar a encontrar, para nunca mais se perder.

Um beijo que ela encontrou na alegria do seu ser,
H.N.






2 comentários :

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  2. O teu texto é muito comovente. Nunca senti o que estás a sentir mas durante estas férias tive medo que alguma vez o viesse a sentir. As minhas melhores amigas, aquelas que eu conheço desde sempre e com quem partilho tudo, conseguiram entrar numa escola em que todas queriamos ficar (para podermos continuar juntas). Eu não entrei. Tive tanto medo de ter de as deixar, de ter de mudar aquilo que parecia estar destinado... Mas depois correu tudo bem e acho que vou conseguir ficar com elas.
    É bom partilhar isto com quem também o partilhou conosco. :)

    Beijinhos!
    Mónica

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