sexta-feira, 8 de julho de 2022

Livro "(Des)Culpa"

 DISPONÍVEL!


Que orgulho em mim mesma! Que felicidade é ter em mãos este meu "bebé"!
Deixem-se levar pela história da Alice e descubram todos os monstros que a atormentam.
Obrigada a todos os que sempre me apoiaram e não me deixam parar de escrever!
Espero que gostem tanto deste livro como eu gostei de o escrever!

Agora, este livro também é vosso!

Sinopse
Até onde nos pode consumir a culpa?
Alice é uma jovem que aparenta ter a sua vida no rumo certo: divide casa com a sua melhor amiga Inês, tem o emprego que sempre sonhou e transparece felicidade. Ou, pelo menos, é assim que ela faz parecer.
A morte do irmão devastou-a e, assolada por um esmagador sentimento de culpa, entra numa espiral de autodestruição. Até chocar com Gabriel e os seus olhos castanhos, que lhe despertam emoções que julgava adormecidas.
A entrega ao amor e à paz que procura parecem estar ao seu alcance. Porém, os penetrantes olhos verdes do Jaime, seu amigo e namorado da Inês, ameaçam cada um dos passos que dá em direção à redenção.
Perdida em si própria e cometendo erro após erro, Alice tenta livrar-se dos fantasmas que a perseguem e impedem de ser feliz. Mas a culpa de que não se consegue libertar só a empurra cada vez mais na direção errada e a desculpa poderá não ser suficiente.


 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

À boleia

🚫 MAIORES DE 18 🚫

"I'm losing my mind, girl 'cause I'm going crazy"

Encostado à soleira da porta, não resisto ficar a olhá-la.
Os cabelos a ondularem ao ritmo dos seus movimentos, o olhar atento nos papéis que segura nas mãos delicadas, as perigosas curvas do seu corpo.
Esqueço os barulhos à minha volta, o local onde estamos, as tarefas por fazer e os minutos que passam.
A minha presença nem sequer é notada tal é a concentração que mantém no trabalho. Gostava de ter coragem para lhe falar mais do que um simples bom dia.
Inesperadamente levanta a cabeça e apanha-me em flagrante. Apresso-me a disfarçar, pegando no telemóvel e finjo estar a ver algo nele. Não sei se ela percebeu a minha indiscrição, mas começo a andar em direção da saída para evitar sentir-me ainda mais envergonhado.
Ao passar pela porta da sua sala, levanto o olhar para a cumprimentar com um sorriso. Ela está a olhar fixamente para mim, com as mãos apoiadas na mesa e o corpo ligeiramente inclinado. O calor invade-me a cara e tenho a certeza de que estou vermelho como um tomate. Tento lançar um sorriso cordial mas acho que me sai apalermado e acelero o passo, ainda a tempo de a ver sorrir de volta.
A brisa suave refresca-me a face e permite-me inspirar e tentar controlar o meu coração descompassado. 
- Já vais embora?
Estremeço com a pergunta e a voz que me chega aos ouvidos eriça-me o cabelo na nuca. O doce perfume que paira no ar não engana. É ela.
Encaro-a com um inevitável sorriso e tento que a voz não me falhe.
- Sim...já terminei tudo por aqui.
Ela olha por cima do ombro em direção à sala de onde saiu.
- Ainda tenho algumas coisas por terminar. - faz uma pausa e parece estar a pensar antes de olhar para mim novamente. - Que se lixe, o trabalho continua aqui amanhã! Saio contigo.
Não espera por resposta e, em passo apressado, regressa à sala. Volta em menos de dois minutos e com um aceno de cabeça incentiva-me a caminhar.
- Na verdade...ainda não vou embora. - digo e ela olha-me confusa. - Tenho de esperar pela minha boleia.
Claro, eu tinha de estragar esta oportunidade. A confusão na sua cara dá lugar a um sorriso.
- Oh, se é isso, eu levo-te! Tenho todo o gosto!

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Ainda...

"No matter how I fight it can't deny it just can't let you go..."

Depois de tudo ainda acreditei.
Acreditei que os sorrisos eram para mim. 
Que os olhares me eram dirigidos. 
Que o riso na tua voz era só meu.
Que as palavras me eram dedicadas.
Fiquei na sombra, como sempre pediste, por acreditar.
Cada toque da tua pele na minha parecia tão raro.
Cada sussurro apaixonado era como um segredo íntimo.
Cada beijo que davas tornava a realidade num sonho. 
Eu acreditava.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Nunca te falhei

🚫 MAIORES DE 18 🚫

"Kiss me hard before you go...Summertime sadness"

O luar ilumina os campos que ladeiam a sinuosa estrada por onde conduzo.
O vidro aberto deixa entrar a brisa morna de uma noite de verão.
Desvio para uma pequena estrada de terra batida e sigo mais alguns metros, até estacionar no final do caminho sem saída.
Desligo o carro e só o som dos grilos e da minha respiração se ouvem.
Encostada a uma árvore está uma Vespa azul com o capacete amarelo em cima do banco.
Agarro na minha mochila, ato o cabelo num rabo de cavalo e saio do carro, trancando-o.
Sigo por um carreiro no meio das ervas e começo a descer a encosta.
O cheiro a maresia já se faz sentir e ouço as ondas do mar contra a parede rochosa que as ampara.
Lá em baixo, na pequena praia, vejo um vulto sentado na areia molhada, iluminado pelo ecrã do telemóvel que segura.
Caminho com cuidado para não escorregar na terra e nas pedras soltas.
Descalço-me ao chegar ao areal, deixo que a areia fria me envolva os pés quentes e caminho silenciosamente na sua direção.
O som dos meus pés a enterrarem-se na areia faz com que olhe subitamente para trás.