domingo, 10 de janeiro de 2010

Abraça-me

"Don't you know it, babe I'm only half a body...without your embrace."

Quando todo o meu mundo parece estar a quebrar-se e lentamente a desfazer-se em pedaços, tudo o que preciso é um abraço.
Não de um sorriso, não de um olhar, não de um simples toque, não de palavras.
Apenas um abraço.
Um abraço que derreta todas as mágoas com o seu calor, que quebre a corrente de maus pensamentos, que seque as lágrimas quentes, que envolva o meu ser como veludo, que suavize o coração.
Um abraço apertado que sufoque a tristeza e devolva o conforto.
Mas e quando o abraço de que mais necessitamos não nos conforta por inteiro, não afasta todas as desilusões, não nos aquece o coração?
E quando esse abraço nos parece apenas morno, apenas um toque, apenas um minúsculo choque, apenas mais um abraço como qualquer outro?
Será de nós ou de quem nos abraça?
Talvez queiramos mais e mais do abraço recebido ou talvez quem nos abraça não se entregue por completo.
Quando somos envoltos nesses abraços mornos por quem menos esperamos, o nosso mundo mergulha numa roda de emoções e pensamentos.
Não sabemos porque não nos sentimos completos, não sabemos de quem foi a culpa, nem sequer sabemos se alguém tem culpa.
Um burburinho de vozes instala-se no nosso pensamento e a confusão ataca-nos a mente.
E começamos a necessitar de algo mais forte.
De um abraço mais forte.
Quando esse tão ansiado abraço chega, o mundo rebenta numa mistura colorida de alegria, conforto, carinho, amizade.
Receber esse abraço, esse pequeno gesto, é tão importante que nos volta a despertar para a sinfonia de cores, pensamentos, emoções, sentimentos, gestos, imagens e palavras, que o mundo tem de mais belas.
E quem é o ser que transporta tanta diferença num abraço?
Qualquer um.
Um amigo de longa data, uma nova amizade, a família, a pessoa amada e desejada, um simples conhecido, um desconhecido ou até mesmo a própria Natureza através dos animais, das plantas, do vento, das chamas do sol, dos raios de luar, da chuva gelada.
Todos temos a capacidade de abraçar alguém do modo certo.
Todos temos a capacidade de sentir.
Todos temos a capacidade de confortar.
Todos temos a capacidade de amar.

Um beijo envolto no abraço tão desejado,

H.N.

3 comentários :

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  2. Sabes, gosto bastante da forma como escreves e isso deve-se, penso, ao facto de seres muito semelhante a mim em termos de pensamentos e tambéum um pouco na forma como escreves. Consigo entender perfeitamente tudo o que dizes. Todas as palavras, expressões, até mesmo as coisas menos directas como metáforas que uses, eu percebo-as. Fico contente por ver que há alguém com umas ideias como as minhas e sei que há mais gente como nós. ;)
    Segue o conselho de Celtic Rose ;b
    Quando tiveres bastantes textos que sejam suficientes para publicar um livro, procura uma editora. =)

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