sábado, 24 de janeiro de 2009

Segredos - os bichinhos

"I'll keep you my dirty little secret, don't tell anyone or you'll be just another regret, hope that you can keep it..."

O que é guardar um segredo?
É contar algo a uma pessoa e pedir-lhe para não contar a ninguém?
É contar algo a 2 ou 3 pessoas e pedir que não contem a ninguém?
É contar algo a amigos e conhecidos e pedir-lhes para não contarem a ninguém?
Ou é algo que não contamos a ninguém e guardamos só para nós?
Segredos todos temos.
Contá-los a alguém, poucos o fazem.
Guardá-los ninguém consegue.
O segredo é um bichinho dentro de nós.
Um bichinho tímido que não quer conhecer ningué,.
E nós cuidamos dele.
Alimentamos-o com os nossos receios, dúvidas, alegrias, tristezas, emoções e sentimentos de todos os tipos.
Criamos-o durante dias, semanas, meses e até anos.
Mas há sempre um dia em que esse bichinho chamado segredo quer tornar-se livre e sair de nós.
Então aí começa a comichão.
Uma comichão interior que primeiro tentamos coçar para evitar que o segredo escape, mas, depois, quando se começam a notar as marcas e as feridas de tanto coçar desistimos e deixa-mos o segredo fugir e ir refugiar-se num novo ser, numa nova pessoa.
Apesar de o segredo não ser dessa pessoa, tudo começa de novo. Todo o crescimento, desenvolvimento, comichão e fuga se repetem.
E o segredo deixa de o ser.
Passa a ser mais uma coisa que aconteceu na vida de alguém e deixa de ter a importância que tinha quando ainda era um segredo.
É inevitável.
Nasce, cresce, vive e morre.
Tal como um bichinho.
E nós estamos recheados desses bichinhos; recheados de segredos.
Segredos: começam no que são, alimentam-se de nós, transmitem-se, alimentam-se dos outros, deixam de o ser e, finalmente, morrem.
Segredos, os nossos bichinhos interiores.
E agora pergunto-me: afinal para que servem?

Um beijo segredado ao teu ouvido,
H.N.

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